MODERNISMO Segunda geração Quebra da bolsa de N. Y. Radicalização política. Crise do café. Ditadura Vargas. Romance brasileiro moderno.
Romances de tensão mínima;
Romances de tensão crítica;
Romances de tensão interiorizada;
Romances de tensão transfigurada. CARACTERÍSTICAS
Caráter seco e participante. Região canavieira. Ambiente urbano. Descuido formal. Marginais, pescadores, marinheiros. Classificação (Segundo A. Bosi):
Romance proletário: Vida baiana rural e citadina;
Depoimentos líricos: Rixas e amores de marinheiros;
Pregação partidária;
Afrescos da região do cacau: tom épico, lutas entre coronéis e exportadores;
Crônicas amaneiradas de costumes provincianos. OS HERÓIS:
O herói, oriundo das camadas populares, deve ter sempre um caráter positivo;
O herói adquire consciência da opressão que o vitima;
O herói parte para a ação política. OS OPRESSORES:
Latifundiário;
Burguês;
Agente do imperialismo;
Alienação;
Conscientização;
Ação política final. País do Carnaval - 1931 Estréia do autor Jovens intelectualizados e inadaptados à realidade brasileira. Impasses ideológicos e existenciais. Pedro Ticiano = velho jornalista. Paulo Rigger = intelectual modernista. Indagações: O que somos?
Que país é este?
Para onde vamos
Qual a finalidade da existência? Literatura de debate. Negação dos sistemas filosóficos, políticos e religiosos. Denúncia: Mau caráter dos políticos;
Mandonismo oligárquico;
Indigência material e ideológica dos humildes. Cacau - 1933 "Romance pequeno e violento”. Região cacaueira do sul da Bahia. " Tentei contar neste livro com um mínimo de literatura para o máximo de honestidade a vida do trabalhador das fazendas de cacau do sul da Bahia. Será um romance proletário?" “Mínimo de literatura para um máximo de honestidade". Luta de classes. Linguagem popular. Metalinguagem. Manuel Misael de Souza Teles. José Cordeiro. Tom memorialístico/testemunhal. Construção fragmentária. Realismo socialista. Mito da Caverna. Representação positiva do oprimido. Suor - 1934 Desempregados, operários e mulheres enfrentam a polícia nas ruas de Salvador. Ladeira do Pelourinho, casarão 68. Via crucis dos oprimidos. Decadência contínua. Painel social. Sofrimentos coletivos. Caráter escatológico. Vilão: O Capital. Herói: Não há. Mar Morto - 1936 Denúncias sociais. Conscientização da heroína Lívia. Morte do marinheiro Guma é menos política e mais existencial. Lívia assume o comando do saveiro de seu amado para dar continuidade ao trabalho do mesmo.
Jubiabá - 1935 O negro Antônio Balduíno vivencia os destinos possíveis das camadas populares baianas:
Menino de rua;
Vagabundo;
Sambista;
Boxeador;
Trabalhador rural;
Artista de circo;
Estivador;
Líder de uma greve no porto. Jubiabá, é um pai-de-santo que desconfia da ação política do filho. Antônio Balduíno supera a religiosidade familiar pelo envolvimento sindical. Jorge Amado descreve sem preconceitos o candomblé e os rituais afro-brasileiros, vendo-os como legítima expressão da cultura negra. Capitães da areia - 1937 Grupo de meninos de rua. Proibido pela censura do Estado Novo. Um dos romances mais lidos em nossa história literária. A idealização dos garotos é absoluta. Todos os "capitães" assumem um destino original:
Pedro Bala, o líder do grupo, vira comandante da segurança de uma greve no porto; Volta Seca torna-se cangaceiro do bando de Lampião; Pirulito, seminarista;
Professor, pintor famoso; Boa-Vida, malandro generoso; Sem Pernas suicida-se;
Fecha o ciclo proletário da “cidade da Bahia”. Terra sem fim - 1943 Lutas sangrentas em torno do estabelecimento da propriedade. Um menino aparece no julgamento do coronel Horácio é apresentado como alguém que "anos depois iria escrever as histórias dessa terra. Vigor documental. Dramas humanos autênticos. Lirismo convincente. Publicados inicialmente na imprensa esboços de capítulos sob o título de Sinhô Badaró. Segundo romance do “ciclo do cacau”. Brasil de antes da Primeira Guerra Mundial. Ferradas e Taboca, sociedades em formação. Lei dos mais fortes e corajosos. Coronel Horácio X família Badaró. Posse das matas do Sequeiro Grande Narrador onisciente. ABC`s e de citações bíblicas. Conflitos íntimos em grande evidência. Paraíso dos chamados “coronéis do cacau” que têm dedicados advogados pessoais e controlam um jornal e uma administração municipal. Inferno dos camponeses suarentos e esfarrapados. Grandes latifundiários, solicitavam de um advogado um "caxixe". Advogados eram bem vindos em Ilhéus, onde faziam fortunas. Navio lavrador Antonio Vitor. Aventureiro João Magalhães. Prostituta Margot. Advogado Dr.Virgílio. Sinhô Badaró:
Pela paz;
Mata somente em caso de extrema necessidade. Juca Badaró. Antônio Vítor:
capanga de Juca Badaró, após ter-lhe salvo a vida. Don'Ana:
Filha de Sinhô Badaró;
Moça séria e enraizada à terra. Virgílio registrou a mata no cartório de Venâncio em nome de Horácio, Maneca Dantas, Braz, viúva Merenda, Firmo, Jarde e de Dr. Jessé Freitas. Homens de Badaró atearam fogo no cartório. Nas cidades distantes falavam-se das lutas em Sequeiro Grande. Juca espalhou pela cidade que Virgílio era um cagão. Horácio: febre. Ester cai doente e morre. Badaró e os homens de Horácio derrubando a mata. Juca foi assassinado. Horácio deveria ser morto, mas também sabiam que isso não seria fácil. Intervenção do governo federal no estado da Bahia Governador renuncia e a oposição toma o poder. O interventor demite o prefeito e nomeia o Dr. Jessé para o cargo; O juiz também foi transferido, viria outro em seu lugar. Sinhô Badaró tornara-se oposição e Horácio, que era governo, já imaginava Virgílio como deputado federal. O cerco da casa Grande dos Badaró pelos homens de Horácio pôs fim na luta. Meses depois, Horácio foi levado a julgamento e, por unanimidade de votos, foi considerado inocente. Horácio descobre que Ester e Virgílio tinham sido amantes. Para Virgílio, o triste era viver sem Ester Virgílio iria morrer corajosamente, segundo as leis do lugar. Foi morto em uma emboscada, a caminho de Ferradas. Eleições: Dr. Jessé é levado à Câmara Federal como deputado do governo. Decreto cria o município de Itabuna - ex Tabocas - desmembrando-o de Ilhéus. Horácio elege Maneca Dantas para prefeito de Ilhéus e o Sr. Azevedo para prefeito de Itabuna. São Jorge dos Ilhéus - 1944 Romance complementar a Terras do sem fim:
Vilas já urbanizadas;
Exploração do cacau;
Região de Ilhéus, no sul da Bahia,
Histórias de terras férteis e dinheiro em abundância;
O romance registra a perda do poder local pelos coronéis, substituídos pelos exportadores e, logo depois, pelas companhias imperialistas americanas. Poeta Sérgio Moura. Proletário Joaquim:
primarismo ideológico
visão messiânica da revolução. Conversão ao comunismo de Julieta, esposa de um rico exportador, e a sua decisão de lutar pela causa operá ria. Fazendeiro:
humilde do interior;
igual a qualquer mortal;
sem a grandiosidade romanesca do sr feudal. Novos modos de matar:
Calúnias;
Falências;
Processos jurídicos. Fases do homem do ciclo do cacau (Antônio Vítor):
Contratado como “alugado”dos Badaró;
Promovido a Jagunço;
Casamento com filha bastarda do patriarca;
Ganhador de um pedaço de terra;
Transforma-se em produtor;
Perdedor de tudo com a baixa do cacau. Joaquim:
Idealista extremado;
Arauto da utopia;
Ideal do militante;
Discurso moralista. Seare vermelha - 1946 Enquadrado na ótica explicitamente ideológica do escritor. Importante mudança de cenário. Abandono da zona do cacau, localizando o relato no sertão baiano. Família numerosa de sertanejos, vítima da seca e do latifúndio, chefiada pelo velho casal, Jerônimo e Jucundina, migra em busca de dias melhores. Seqüência de fome e angústia, sofrimento e esperança, morte e instinto de sobrevivência. Marta, a filha do casal, se prostitui para garantir o sustento da família e a viagem rumo a São Paulo. Segunda parte do romance
(As estradas da esperança) Eixo narrativo se desloca para os três filhos homens de Jerônimo e Jucundina - José, João e Juvêncio. Cada um dos irmãos escolhe um caminho de protesto contra o latifúndio opressor. José vira Zé Trevoada, cangaceiro do bando de Lucas Arvoredo. João torna-se seguidor do beato Estevão. Juvêncio ultrapassa a dimensão irracional do cangaço e do misticismo, pois como soldado acaba aderindo ao partido Comunista, participando inclusive da intentona golpista de 1935. Influência dessa parte do romance no mais famoso filme brasileiro Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, produzido em 1963. Tocaia Grande - 1984 Como diz o próprio Jorge Amado, "foi escrito de déu em déu", ou seja, conforme as afluíam, sem preocupação de linearidade. “É que desta vez não estou só escrevendo um romance - estou construindo uma cidade”. Formação de um povoado, processo do arraial a partir da casa construída por Natário. Saga do jagunço Natário da Fonseca. Escalões inferiores da hierarquia social:
Transgressores
Tropeiros
Jagunços
Prostitutas Arraial transforma-se em Irisópolis . Natário da Fonseca, caboclo de feições carrancudas que serve ao coronel Boaventura. Natário pede ao coronel Boaventura deixá-lo tomar um pedaço de terras nas cercanias com o empenho da palavra que sempre servirá ao coronel. Fadul Abdala abriu um pequeno comércio para venda de cachaça, rapaduras, farinha,... e algumas mulheres-damas para o deleite dos tropeiros. Castor Abdium, mais conhecido por Tião, que vai dar em Tocaia Grande por estar sendo perseguido pelos homens do Barão. Bernarda, afilhada do Capitão Natário tornando-se amante dele, com o qual tem um filho, além de continuar na labuta como prostituta. Jacinta Coroca em busca de melhor lugar para viver; topa com o Capitão Natário que lhes fala de Tocaia Grande e lhes diz que lá eles serão donos de suas terras. Em Tocaia Grande quem se gosta se amasia, pois o lugar não tem igreja, não tem padre. É um porto livre dos tabus e moralidades da sociedade. Outro personagem a destacar é Zilda, esposa do Capitão Natário, que tem com ele dois filhos, e outros tantos que recolhe e cria como se fossem seus. Todos tinham cara de Natário. Assalto à bodega do turco Fadul. Capitão Natário informa Fadul que já sabia do saque o que também já tinha resolvido a pendenga, dando cabo dos jagunços. Enchente que dizimou a localidade. Peste negra que se abateu sobre a população de Tocaia Grande, levando consigo nove vidas. Festa de reisado. Coronel Boaventura morre e pede a Natário que se encarregue da moça Sacramento, derradeira alegria do Coronel, encaminhando-a da melhor forma possível. Boaventurinha é obrigado a largar de sua boa vida na Europa, regressar para casa, assumir as finanças e a política deixadas pelo pai. Ao saber que o Capitão Natário não irá mais lhe assessorar, se revolta e vai à cata de vingança. Chegam jagunços dos mais temidos das localidades e redondezas, com o intuito de tocaiar os tocaiagrandenses. Capitão Natário reúne sua gente, dizendo que ninguém é obrigado a ficar. Na noite de tocaia, sem o saber, o Capitão Natário encontra-se com sua amante e afilhada Bernarda Um capanga dispara um tiro, porém Bernarda se interpõe entre a bala e o Capitão Natário, vindo a morrer em seguida, nos braços do único homem que amou, O capanga é morto por Sigismundo, cão de guarda do Coronel Boaventura, quando este vivia. Capitão Natário mandou espalhar o boato, em Itabuna e redondezas, que estava morto. Os outros jagunços se puseram em marcha para Tocaia Grande com o propósito de acabar com todos A maioria da população morre. Natário e Jacinta Coroca, armaram emboscada para os mandantes daquela desgraça. Chega o tropel da comitiva dos notáveis. aguardando o momento de entrada triunfal. Traziam a lei para implantá-la. Jacinta Coroca apoiou a repetição no galho de árvores. Natário firmou pontaria, visando a testa de Venturinha. Em mais de vinte anos, não errara um tiro. "Com sua licença, Coronel".